terça-feira, 21 de outubro de 2008

O pecado de domingo, morena. Quem paga é segunda feira.

Estou em Valadares desde sábado... Valadares que é o tema mais falado aqui, ao lado de nostalgia. Mas isso não importa. O domingo que importa. Domingo era o dia de eu me encontrar com alguns companheiros de terceiro ano. Mas como tudo na vida, nada é tão simples assim. No mesmo dia era aniversário de um grande amigo meu. Resultado: troquei meus antigos companheiros por algo que na hora julguei mais importante. Dou muito valor pra esse negócio de aniversário. Mas beleza, falei que outro dia me encontrava com eles. Bebida vai, bebida vem. Comecei a pensar na nossa antiga sala... O terceiro ano C do Colégio Ibituruna foi bem memorável para muitas pessoas. Alunos da sala, professores e alunos de outras salas... Vamos começar do início. Fazer o quê, né? A sala era melhor do que as outras.
Vamos começar de fato pelo começo. Só dar alguns passos por dentro do Colégio Ibituruna e você já percebe o ambiente. Muita gente bonita. Poucas com algo na cabeça. Mas que são bonitas, são. Sem ofensas. Acho que todos sabem disso. Um ambiente um pouco hostil se você é mais fraco, mais feio e mais alienado do que os outros do Colégio. Então o quê você faz? Você pensa. Você deve ter algo que esse povo não tem. Opa. Você pensa. Isso já é uma vantagem. Não dizendo que as pessoas não pensam lá. No sentido literário de pensar, elas pensam sim. Mas não ficam gastando o tempo delas quebrando cabeça sobre a vida, sobre amizade, sobre mulheres e tudo mais. Nessa ordem exatamente. Na cabeça de playboys e patricinhas é tudo muito ordenado, muito exato. Então o que você faz? Tem que quebrar esse pensamento deles. Sem ficar no ridículo é claro. Já vi muito neguinho fazendo besteira tentando não ligar para o que os outros pensam e ficam no ridículo. Fazer o quê meu cumpádi? Você tem que conviver com aquela gente. Se você pensar dá pra tirar de letra o estilo de vida do Colégio Ibituruna. Isso é o que eu pensava antes de me apaixonar por muita gente daquele Colégio.
Ao chegar no terceiro ano eu já me sentia muito bem lá. Eu realmente me achava melhor do que todo mundo. Hahaha. É um pensamento ridículo mas acho que foi isso que me pôs um pouco acima por aquelas bandas. Eu já tinha feito muita coisa que ninguém lá tinha feito (pelo menos que eu saiba). Eu conversaria melhor com os pais das pessoas do que com elas. Isso dava um aspecto de respeito. Mas mesmo assim eu ficava com os pés no chão. Nenhuma mulher da escola ficaria contigo por respeito. Vamos ser sinceros. Você tem gdgdgdgque se relacionar com outro quesito, o quesito chamado poder. Mas isso é outra história. Eu me sentia bem pois era "comequieto".
Quando entro na minha sala de terceiro ano. Vejo muita, muita, muita gente desconhecida. Penso, puta que pariu, cambada de novato de onde Deus perdeu a cueca na porra da sala. Beleza. vou sentar perto de um conhecido de vista e os mais acanhados. Que geralmente são os mais espertos e simpáticos. O conhecido de vista era o repetente. Que não preciso de citar nomes. Figura. Muito alto e muito desajeitado. Mas que criou um "ás" na manga com o público feminino com o papo e com sua clareza de pensamento e calma. Quantas vezes conversei sobre coisas da vida com esse tipo. Ao nosso lado tinha um novato de Central de Minas, apesar do nome, uma cidade desconhecida por todos. Figura. O que mais tinha gosto musical da sala. Conhecia músicas antigas e dominava certos aspectos que ninguém nem imaginava da sala, como o da dialética. Sabia falar mesmo esse cara. Muito engraçado e extrovertido. De boa. Além dos amigos antigos que logo encontrei na sala quando dei uma olhada mais justa e desses que logo conheci, existiam mais novatos. Um com um jeito que eu diria "estranho", um que estava perto desse tipo estranho que era logo ao lado das meninas esforçadas da sala (que por motivos maiores de fama ou não-sei-o-quê tinham menos olhares dos meninos do colégio, coisas de adolescentes que ao sair da escola logo são repensadas), um novato alto, forte e loiro que parecia um playboy comum, uma menina que se sentou perto dele loira e muito linda, uma outra loira bonita-nos-moldes-mais-antigos, uma morena lindíssima, uma morena mei pau mei tijolo, uma do tipo crente, outra crente, um tipo baixinho "na dele" (pelo menos de início) que eu não prestei muita atenção, acho que é só, pois não me lembro se os outros eram novatos desse ano ou se eram novatos do outro ano. Tirando os novatos, tinha na sala as mesmas pessoas de sempre. Os que moravam mais ou menos pertos um do outro, que geralmente são muito parecidos em gostos e tudo mais. Pensando agora, isso é uma coisa que conta muito para as pessoas. Continuemos. A sala era dividida mais ou menos assim. Na frente do lado esquerdo as meninas esforçadas e os caras "estranhos", pelo menos ao meu ver, do meio na frente as mulheres clássicas do Ibituruna, na frente pela direita, novatas e alguns amigos chamados de mastigadores, que voaram em cima de "carne nova". Hahahaha. Quanto mais você andava para o final da sala, pior ficava a situação. No fundo se sentavam os maus elementos. Hahaha. Conseguiria citar nomes dos indivíduos só de lembrar, porque a maioria fez parte do grupo de grandes amigos durante o colégio. Com o tempo pessoas mudaram de lugares e tudo mais. Mas estranhamente, esses grupos não mudaram muito, tirando o cara que se sentou perto do tipo estranho (que simplesmente deu azar). Já na primeira semana de aula, eu e as pessoas que eu conhecia já tínhamos nos enturmado com os novatos mais amigáveis, o de Central de Minas que tinha uma enorme cabeça (observada de forma bizarra por alguns amigos, a cabeça grande era um aspecto dividido com outro amigo de sala nosso, futuramente citado), o baixinho (que percebemos logo que ele não era nada na dele) e o repetente (que já conhecia de vista). Junto deles estávamos um do tipo roceiro-que-não-liga-muito-para-essa-coisa-de-estudos, um do tipo flamenguista-esportista-bebedor-e-conhecedor-de-pessoas, um do tipo mais-normal-que-já-vi-e-até-hoje-eu-uso-ele-como-exemplo-imaginário-quando-tento-descrever-uma-pessoa-fisicamente-normal, um do tipo new-vaidoso (que era de se perceber pelo tamanho das blusas que trajava), um do tipo azarado-de-nascença-que-era-muito-zuado, um do tipo esportista-nativo-portenho, o tipo da cabeça-grande-muito-inteligente, um do tipo cabelo-de-topete-parceirasso-nosso-de-outros-anos, um do tipo simples-de-ser-e-que-não-fica-nervoso-com-nada, um do tipo esportista-saudável-até-a-última, um do tipo play-só-que-mais-magro-e-mais-esperto-que-todos, um do tipo esportista-vaidoso-repetente (que não me lembro exatamente se ele era ou não repetente, mas me lembro que ele tinha cara de repetente e tem até hoje) e eu. As mulheres não se juntaram tanto. Nem o do tipo estranho, nem o seu amigo. O tipo loiro se juntou ao grupo depois. Nunca me juntei muito às meninas da sala, conversei muito com uma ou outra mas em momentos bem aleatórios, elas me tratavam como um tipo músico-inteligente-vagabundo-que-não-tem-muito-a-me-oferecer-por-enquanto-mas-que-era-interessante-de-conversar. Existiam outros caras na sala, mas esses conversavam e conheciam mais as meninas.
Estava formado o grupo de caras em sua maioria bebedores e tiradores de sarro do colégio inteiro. Um grupo em sua grande parte de vagabundos querendo passar. Passados um mês e alguns dias, os novatos serviram de catalizadores para a aproximação de toda a sala... Muita festa e muita bebida... E a bebida é o catalizador do encontro de pessoas... Dentre todas os acontecimentos, sempre sobrava uma borda para uma ação nobre ou honrada, que deixava por esse lado, outras bordas para novos pensamentos sobre as pessoas. Não é muito fácil definir as pessoas só pelo olhar, mas sim pelas ações em condições extremas. Uma vez o tipo pequeno levou um soco e nunca vi tanta gente entrando no meio da briga, tentando salvar ou pelo menos levar um soco por ele. Uma pessoa que conhecíamos a apenas alguns meses. Agora estávamos dispostos a morrer por ele. Uma outra vez nos envolvemos com um rapto de material sigiloso e eu pensei em falar que era eu o culpado e ser expulso do colégio para um amigo mais necessitado de nota não ser expulso e morto pelo pai... O tipo amigo-do-tipo-estranho virou o tipo companheiro-bebedor-e-balangador-de-mulheres, o tipo loiro virou o tipo louco-mas-que-nunca-deixaria-um-amigo-na-mão, o baixinho virou o tipo que topa-qualquer-coisa-nem-que-tenha-que-morrer-por-você-e-que-não-liga-pra-nada-de-futilidades e o tipo de Central de Minas virou o tipo pessoa-com-mais-humor-que-já-conheci-na-vida-e-uma-das-pessoas-mais-espertas-que-já-conheci. Na verdade todos eram tudo isso que citei. E todos muito amigos nossos. O terceiro ano C, me desculpem as mulheres, foram essas pessoas. Sem esses 4, tudo seria diferente. Tem tanta gente que eu prezo tanto nessa sala que as pessoas não acreditam quando eu falo. Elas têm uma impressão estranha sobre o Colégio Ibituruna, dizem que era do tipo playboys e patricinhas. Opa. Essa é a minha impressão também. Tinna muita gente suja no colégio, isso é fato. Já ouvi falar de neguinho que ameaçava bater na namorada, que não ligava para amizade, que só pensava em como agarrar mais mulher em menos tempo possível, de um jeito bem sujo. Muita menina caía. Mas de quem elas gostavam mesmo eram dos vagabundos. Que não tinham nada e muito menos tinham algo a oferecer. Os esquisitos bebedores do terceiro C. Hahaha. A gente sempre foi e sempre vai ser melhor que as outras salas. Nunca uma sala de terceiro ano deixará tantos amigos inseparáveis assim, casos mulherengos, bebedeiras, loucuras e outras cositas mas.Voltando do meu porre de domingo, pensei nas meninas da sala, todas realmente eram lindas demais pra mim, mas nunca tive tanto interesse nelas na época, tinha que ter aproveitado algo, estava com minha cabeça em outras mulheres, elas sabem quem elas são. Novamente sentimos aquele fio que você quase pega mas já era, ele se desfaz no vento, esse blablabla poético. Novamente, me vingo nas cordas de um violão, cantando uma música que fala "E o pecado de domingo,morena... Quem paga é segunda feira". Não vamos deixar esses momentos passarem despercebidos pela nossa mente. Um abraço para todas as pessoas que eram da minha sala. Até aquelas que eu não conversei muito. Todas fizeram parte de um núcleo que mudou a minha vida e a vida de muitos. Esse texto vai aos meus grandes amigos, vocês sabem quem são.

15 comentários:

Grimalde disse...

Muito bom Brauer. Realmente me emocionei lendo e lembrando da nossa "moçada"! hahahah

Abraço!

Sanderson disse...

UHOaiehAIueAH, bom muito bom, nos eramos felizes e nao sabiamos... ate hoje imagino como seria aquela turma na mesma sala de faculdade...

wendy disse...

q bunitim, ta com saudades.

Caroline disse...

eu já ia comentar que enquanto você fazia terceiro ano nem bebia
esqueço que meu terceiro ano foi num ano diferente do seu
hAOIhaoiAHoIAHAOIhAoiAHoIAHhAIOhA

raíssas :) disse...

xté vei cê tá no meu coração ! AjaAjaJPAiojaIOAjioaPJApiojaPIOAjapOIJApioaJAp

raíssas :) disse...

nesse momento minha mãe grita: "RAÍSSA NOSSA VEM VER O VITOR NA TELEVISÃO !!"

Lucas disse...

RESPEITEI.. E RESPEITO SEMPRE.. muito bom garoto

abrasss

Vinicius disse...

mto bom brauer
abraco

Ana Elisa disse...

Gostei =]

Marcos disse...

É perigoso mexer com nostalgia, mas eu também me arrisco às vezes, cara. Muito bom.

Sara disse...

perfeito!!
só isso...
saudade!beijos

Juliana disse...

Q issoo

muito bom!


saudades dessa turma...d verdade!

Luke disse...

seu posts são grandes. mas também são muito bons!

douglaz disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
douglaz disse...

Você deve ter algo que esse povo não tem. Opa. Você pensa. Isso já é uma vantagem.

ainda tô rindo disso.
auheuhaea