terça-feira, 17 de novembro de 2009

Ítaca


Quando quiser voltar para Valadares
reze para que demore essa decisão,
e que o caminho seja repleto de perigos e repleto de experiências.
Monstros, pessoas ruins e outras que te odeiam,
não tenha medo deles, jamais encontrará tais coisas no caminho
se o seu pensamento for puro e um sentimento sublime
seu corpo tocar e seu espírito habitar.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o bravo Poseidon há de ver,
se você mesmo não os levar dentro da alma,
se a sua alma não os erguer para o combate.
Reze para que seu caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
nas quais, com tal prazer, com tal alegria,
você entrará pela primeira vez num estabelecimento
para conhecer novas pessoas, rever amigos
e adquirir: novos amores, novas conquistas, novos amigos,
novas rendas, novos pensamentos e novas peripércias.
Viaje para várias cidades do Brasil
para aprender, aprender com os que sabem muito.
Carregará sempre Valadares no seu espírito,
você está predestinado a voltar ali.
Mas não apresse o caminho nunca.
Melhor muitos anos levar sua jornada
para fazer assentamento, velho enfim,
rico do que foi seu pelo caminho,
sem esperar que Valadares te dê riquezas.
Valadares te deu essa esplêndida viagem.
Sem ela, você não teria partido.
Mas Valadares não tem nada para te dar.
E, mesmo ela estando pobre, Valadares nunca te traiu.
Sábio como está agora, senhor de tanta experiência,
terá finalmente compreendido o sentido de Valadares.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

FL Studio

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Eu-lírico feminino


Quando eu conheci aquele menino.
Já sabia que iria ficar com ele.
Só não sabia que iria tão longe.
Mas eu já gostava dele.
E ele ía ser meu.
E esse era um dos meus sonhos.
E era um sonho lindo.
Então eu batalhei.
Porque eu ainda não tinha sido feliz.
E eu tinha que ser feliz.
E ele devia ser uma criatura tão única.
Não era bonito, mas era único.
Era um sonho.

Fiz todos os jogos possíveis.
Ele demorou pra chegar em mim.
Mas se parar pra pensar, isso foi bom.
Expectativa é uma coisa deliciosa.
Depois que você perde no jogo.
Percebe que devia ter saído quando tava ganhando.

Eu perdi a virgindade com ele.
Isso contava um pouco.
Mas eu só queria tirar esse peso da consciência.
Chega um momento que você só quer parar de pensar nisso.
E eu gostava dele, então tinha que aproveitar logo.
A gente demora tanto pra gostar de verdade de uma pessoa.
Realmente.

A gente vive a vida inteira.
Imaginando.
Sonhando.
Como seria.
E nunca vive mesmo.
De qualquer forma, a gente terminou.

Depois que a gente terminou, obviamente, nas noites solitárias.
Percebi o quanto gostava dele mesmo.
Chorei.
Chorei.
Chorei com minha mãe.
Chorei mais.
Não foi justo o que ele fez.
Simplesmente não foi.

E eu não consigo imaginar ele
Olhando pra outra mulher.
Com os mesmos olhos que ele olhava pra mim.
Olhando no olho.
Rindo daquele jeito sozinho perto de outra mulher.
Pedindo as opiniões para outra mulher.
Ficando puto com outra mulher.
Indo na casa de outra mulher.
Molhando o chuveiro dela inteiro.
Mas tendo o cuidado idiota de não sujar o chão do quarto dela.
Conhecendo a mãe de outra mulher.
E a mãe da outra mulher amando ele, igual minha mãe amou.
Comendo a comida de outra mulher.
Casando com outra mulher.
Tendo filhos com outra mulher.
Ficando roncando na cama de outra mulher.
Assistindo aos jogos do time dele na sala de outra mulher.
Lendo os livros dele na casa de outra mulher.
Vivendo na casa de outra mulher.
Andando de mãos dadas com outra mulher.
Beijando outra mulher.

A primeira vez que a gente ficou.
Foi uma coisa lindíssima.
Eu sempre lembro.
E sempre quando aparece um outro alguém.
Já não é a mesma coisa.
Mas eu tento.
E eu lembro dele de vez em quando.
E é bom e é ruim.
Sinto que perdi uma parte de mim com ele.
Eu vivo, porque eu tenho que viver.
A vida continua.

Mas
Pra onde
Foi o meu sonho?

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Essa é para meus amigos.


Não sei se estou amando, ou sei lá o quê. Só sei que não sei pensar em nada além dELA. Aliás, consigo ver todas as meninas lindas de todas as ruas da vida. Então consigo pensar em coisas além dELA. Mas, a impressão que eu tenho, é que não posso perder o que tenho. Pois, a gente supõe que ninguém do mundo faz as coisas que ELA faz. Do jeito que ELA faz. Vi uma menina linda na universidade, mas eu pensei. Será que ela me abraça do jeito que ELA me abraça? Provavelmente ela faz outras coisas muito bem, mas ela faz isso que ELA faz? Ou ela vai me amar o tanto que ELA me ama? E melhor, ela vai precisar tanto de mim do jeito que ELA precisa? Assim, eu sempre tento estar quando ELA precisa de mim. Mas eu consigo me ver ainda. Eu consigo pensar em mim muito, o tempo todo. Não é do jeito que os livros falam, não é do jeito que as pessoas falam. Nada é do jeito que a maioria das pessoas falam que é. Talvez isso seja amor. As pessoas vão odiar o meu amor, por ser assim. Mas ele é meu. E isso que deve importar alguma coisa.

Eu amo ficar sozinho, amo de paixão. Mas fico preocupado com ELA, solta, sem mim, pelo mundo. É a minha menina. Sem ELA, eu continuaria existindo. Seria bom. Não seria ruim. Mas agora eu já estou preso, nessa jornada. Não posso mais sair, é assim que acontecem as coisas da vida.

Talvez foi um erro dizer oi aquele dia. Talvez foi um erro ter levado ela pra casa. Talvez foi errado ter levado ela pra cama. Talvez foi tudo um erro. Não sei se voltaria e faria a mesma coisa, poderia ter sido mais certo. Não é como nos livros. Sem essas histórias de que se voltasse no tempo faria a mesma coisa. Eu provavelmente faria uma outra história. Fato.

Mas acho que eu amo ELA. Minha criança, minha menina, minha pequena. Suponho que é natural, que eu a ame. ELA é minha. Sem mim, ELA não existiria do jeito que é. Fato. Agora tudo que eu quero é só uma casa pra mim e pra minha menina. Eu sou o homem que mais vai amar ELA na vida.

Eu nunca fui ninguém. Fato. Mas nunca desse jeito.

domingo, 6 de setembro de 2009

Babacas são construídos babacas.


Quando eu tinha, sei lá, uns 15 anos.
Eu namorava uma menina.
Eu gostava muito dela.
Beleza.
Uma menina de outra cidade me ligou um dia.
Eu gostava muito dela também.
E disse:
E aí Vitor? Tudo bem? Estou em Valadares. Na casa de uma amiga. Ela saiu e eu estou sozinha aqui. Por que você não vem aqui?

Eu estava namorando. Não podia fazer isso.

Eu disse:
Hoje eu tenho aniversário de um amigo pra eu ir. Não vai rolar de eu ir praí.

É.
Isso mesmo.
Eu disse isso.
Para uma das meninas mais lindas que eu já fiquei.

E ela disse:
Mas você pode ir depois, só dá uma passada aqui, rápida.

Eu disse:
Não posso. Não tem como. Se eu tivesse um carro eu iria, é óbvio. Mas não vai dar tempo. E nem dinheiro pra passagem eu acho que eu tenho.

Ela disse:
Você é um filho da puta.

Eu disse:
É... Desculpa. Deixa pra outro dia.

Ela disse:
Tchau.

Eu disse:
Falou.

Não traí minha namorada.
Não tinha aniversário nenhum pra ir.
Na outra semana eu e minha namorada terminamos.
A menina da outra cidade ficou puta comigo.
Mal vejo ela hoje em dia.
A minha namorada ficou puta comigo.
Mal vejo ela hoje em dia.

Acho que a partir desse dia eu comecei

a ser um babaca.