
Quando eu conheci aquele menino.
Já sabia que iria ficar com ele.
Só não sabia que iria tão longe.
Mas eu já gostava dele.
E ele ía ser meu.
E esse era um dos meus sonhos.
E era um sonho lindo.
Então eu batalhei.
Porque eu ainda não tinha sido feliz.
E eu tinha que ser feliz.
E ele devia ser uma criatura tão única.
Não era bonito, mas era único.
Era um sonho.
Fiz todos os jogos possíveis.
Ele demorou pra chegar em mim.
Mas se parar pra pensar, isso foi bom.
Expectativa é uma coisa deliciosa.
Depois que você perde no jogo.
Percebe que devia ter saído quando tava ganhando.
Eu perdi a virgindade com ele.
Isso contava um pouco.
Mas eu só queria tirar esse peso da consciência.
Chega um momento que você só quer parar de pensar nisso.
E eu gostava dele, então tinha que aproveitar logo.
A gente demora tanto pra gostar de verdade de uma pessoa.
Realmente.
A gente vive a vida inteira.
Imaginando.
Sonhando.
Como seria.
E nunca vive mesmo.
De qualquer forma, a gente terminou.
Depois que a gente terminou, obviamente, nas noites solitárias.
Percebi o quanto gostava dele mesmo.
Chorei.
Chorei.
Chorei com minha mãe.
Chorei mais.
Não foi justo o que ele fez.
Simplesmente não foi.
E eu não consigo imaginar ele
Olhando pra outra mulher.
Com os mesmos olhos que ele olhava pra mim.
Olhando no olho.
Rindo daquele jeito sozinho perto de outra mulher.
Pedindo as opiniões para outra mulher.
Ficando puto com outra mulher.
Indo na casa de outra mulher.
Molhando o chuveiro dela inteiro.
Mas tendo o cuidado idiota de não sujar o chão do quarto dela.
Conhecendo a mãe de outra mulher.
E a mãe da outra mulher amando ele, igual minha mãe amou.
Comendo a comida de outra mulher.
Casando com outra mulher.
Tendo filhos com outra mulher.
Ficando roncando na cama de outra mulher.
Assistindo aos jogos do time dele na sala de outra mulher.
Lendo os livros dele na casa de outra mulher.
Vivendo na casa de outra mulher.
Andando de mãos dadas com outra mulher.
Beijando outra mulher.
A primeira vez que a gente ficou.
Foi uma coisa lindíssima.
Eu sempre lembro.
E sempre quando aparece um outro alguém.
Já não é a mesma coisa.
Mas eu tento.
E eu lembro dele de vez em quando.
E é bom e é ruim.
Sinto que perdi uma parte de mim com ele.
Eu vivo, porque eu tenho que viver.
A vida continua.
Mas
Pra onde
Foi o meu sonho?